Há tempos, li um post no Guga, e também na Rosinha sobre realizações, sobre coisas que a gente fez, ou faz, e que muitas vezes aos olhos dos outros parece banal, mas que foram grandes conquistas.
Então lá vão as minhas conquistas:
- Nascimento do Bruno: Eu tinha 21 anos quando descobri que estava grávida. Solteira, namorava há pouquíssimo tempo e é claro que não planejava a gravidez. Estava fazendo cursinho para prestar vestibular de medicina (pelo terceiro ano) e desempregada.
A primeira médica que eu procurei me disse que a gravidez era de risco e se negou a fazer o meu pré-natal. Ela chegou a insinuar que eu deveria (ou que iria de qualquer forma) abortar.
Quando minha família soube foi um choque. Meu irmão não falou comigo a gestação toda. Uma parente muito próxima disse para a minha mãe que eu deveria tirar o bebê, pois estava estragando a minha vida. A gestação toda foi muito tranqüila, o Bruno nasceu com um pequeno problema respiratório, mas hoje é um menino saudável de 12 anos.
Eu o criei praticamente sozinha, apesar do apoio financeiro da minha mãe. O Bruno nunca ficou na casa de avô/avó/tia/madrinha, só agora depois de grande, que não tem mais escola o ano todo.
Sempre o levei para todo canto ou não iria se não pudesse levá-lo.
Ele tem lá os seus defeitos e manias (e quem não tem??) mas é um garoto inteligente e educado e é o grande amor da minha vida.
- Conheci o homem da minha vida. E por incrível que pareça o odiei à primeira vista. Isso porque aos meus olhos ele representava tudo de pior que poderia existir num homem. Mas eu estava muito enganada! Depois de conversar algumas vezes com ele, depois de “descobri-lo” não consegui mais tirar a minha mente, o meu coração e o meu corpo da vida dele.
Eu conheci o Beto num terreiro de umbanda, me apaixonei por ele numa praia e começamos a namorar numa padaria.
Todas as pessoas que conhecíamos se afastaram de nós. Sofremos um isolamento forçado de 100 dias e outros 260 por nossa livre escolha. Passamos um ano vivendo um pro outro, reconstruindo nossas vidas e crescendo como seres humanos.
Fizemos novos amigos, nos casamos numa linda e emocionante cerimônia e estamos juntos há quatro anos.
Mesmo contra tudo e contra todos, contra todas as previsões catastróficas de duração do nosso casamento, estamos cada vez mais próximos, mais juntos.
É claro que temos problemas, que muitas vezes não concordamos, que até discutimos ou brigamos, mas mesmo assim não há nada no mundo maior que o nosso amor. É nele meu refúgio, o meu ombro amigo, minha companhia, meu amor eterno.
- Me formar na faculdade sempre foi um grande sonho. Com a vinda do Bruno esse sonho teve que ser adiado e um pouco modificado. Com uma criança pequena eu não via a menor possibilidade de fazer medicina e a minha segunda opção sempre foi a Biologia.
Quando o Bruno fez quatro anos eu prestei vestibular em 3 universidades e passei em duas. Já foi uma grande vitória, afinal estava sem estudar há um tempão.
Aos olhos da minha família não foi uma grande alegria.
Eu cursei os quatro anos à noite na Móoca, trabalhando o dia todo em Santo Amaro e morando na Freguesia do Ó. Pra quem conhece Sampa, sabe que esses bairros ficam bem distantes uns dos outros, por isso o sacrifício era grande.
A saudade do Bruno era enorme, pois saia de casa e voltava e ele estava dormindo. Às vezes a saudade era tão grande que eu acordava ele só para ouvi-lo resmungar.
Não posso dizer o tamanho da minha alegria quando recebi o meu diploma. Me lembrei da minha mãe dizendo que eu devia desistir do curso, me perguntando o que eu ia fazer com aquele diploma.
Ainda hoje não fiz nada com ele que continua muito bem guardado. Mas conhecimento não pesa e só faz bem. Além do mais, a faculdade me trouxe amigos preciosos que eu conservo até hoje.
- Voltei pro meu antigo emprego, depois de 5 anos e após ter mandado meu ex-chefe tomar no .....
Isso é engraçado... Logo depois que o Bruno nasceu, fui convidada pra trabalhar numa grande construtora. Comecei como auxiliar de cobrança de prédios residenciais, mas em menos de um ano já era encarregada de todo o setor de cobrança de shopping centers. Fiquei 6 anos trabalhando nessa função, mas sabia de antemão que era um trabalho com prazo de validade, pois depois de construído o shopping passa a ser administrado por outra empresa.
No final da construção do segundo shopping, eu estava no auge do stress, cheia de problemas particulares e um belo dia meu chefe resolveu gritar comigo. Ele escolheu um bad day e eu não tive dúvida nenhuma em retrucar na mesma moeda, mandando-lhe tomar lá.
E claro que fui demitida na hora, sem direito à choro nem vela. Passei quatro anos fazendo outras coisas, algumas legais, outras nem tanto, até que eles me chamaram de volta para um novo projeto, ou melhor, dois novos projetos. Eu sei que tem prazo de validade, pois os shoppings inauguram no final do ano que vem, mas eu faço o que gosto, trabalho com gente legal (é a mesma equipe) e não ganho tão mal assim.
Ah, o meu ex-chefe ( o que eu mandei....) trabalha em Salvador.Mas o diretor, que sabe de toda a história, é o mesmo.
E ele costuma dizer que eu tomei juízo.
- Eu vivo uma vida normal: Quando minha mãe, há 32 anos, descobriu que eu e meu irmão éramos portadores de anemia falciforme, ela correu para o HC.
Todo mundo que tinha uma doença rara ou misteriosa ia pra lá e com a gente não foi diferente.
Foi no HC que a minha mãe recebeu a gloriosa notícia que seus dois filhos, um de 4 e outro de 1 ano, não passariam da primeira década de vida.
Talvez essa seja uma conquista mais da minha mãe do que minha, mas o que ela me ensinou é que nós não devíamos ter a postura de coitadinhos, de doentes, de eu-vou-morrer-tenha-dó-de-mim.
Eu tive uma infância praticamente normal, excetuando-se as vezes que ficava internada. Fui a escola, aprendi a andar de bicicleta, a andar de patins, fui as festinhas e bailinhos, cresci normal e inteligente.
Nunca me fiz de coitada. Nunca usei a anemia de muleta para me dar algum benefício, para ganhar alguma vantagem. Aprendi a lidar com ela, a viver com ela, a me cuidar e a saber que quem manda na minha vida é Deus.
O dia que Ele quiser, vou pro lado de lá numa boa.