Sexta-feira, Maio 26, 2006

Conquistas

Há tempos, li um post no Guga, e também na Rosinha sobre realizações, sobre coisas que a gente fez, ou faz, e que muitas vezes aos olhos dos outros parece banal, mas que foram grandes conquistas.

Então lá vão as minhas conquistas:

- Nascimento do Bruno: Eu tinha 21 anos quando descobri que estava grávida. Solteira, namorava há pouquíssimo tempo e é claro que não planejava a gravidez. Estava fazendo cursinho para prestar vestibular de medicina (pelo terceiro ano) e desempregada.
A primeira médica que eu procurei me disse que a gravidez era de risco e se negou a fazer o meu pré-natal. Ela chegou a insinuar que eu deveria (ou que iria de qualquer forma) abortar.
Quando minha família soube foi um choque. Meu irmão não falou comigo a gestação toda. Uma parente muito próxima disse para a minha mãe que eu deveria tirar o bebê, pois estava estragando a minha vida. A gestação toda foi muito tranqüila, o Bruno nasceu com um pequeno problema respiratório, mas hoje é um menino saudável de 12 anos.
Eu o criei praticamente sozinha, apesar do apoio financeiro da minha mãe. O Bruno nunca ficou na casa de avô/avó/tia/madrinha, só agora depois de grande, que não tem mais escola o ano todo.
Sempre o levei para todo canto ou não iria se não pudesse levá-lo.
Ele tem lá os seus defeitos e manias (e quem não tem??) mas é um garoto inteligente e educado e é o grande amor da minha vida.

- Conheci o homem da minha vida. E por incrível que pareça o odiei à primeira vista. Isso porque aos meus olhos ele representava tudo de pior que poderia existir num homem. Mas eu estava muito enganada! Depois de conversar algumas vezes com ele, depois de “descobri-lo” não consegui mais tirar a minha mente, o meu coração e o meu corpo da vida dele.
Eu conheci o Beto num terreiro de umbanda, me apaixonei por ele numa praia e começamos a namorar numa padaria.
Todas as pessoas que conhecíamos se afastaram de nós. Sofremos um isolamento forçado de 100 dias e outros 260 por nossa livre escolha. Passamos um ano vivendo um pro outro, reconstruindo nossas vidas e crescendo como seres humanos.
Fizemos novos amigos, nos casamos numa linda e emocionante cerimônia e estamos juntos há quatro anos.
Mesmo contra tudo e contra todos, contra todas as previsões catastróficas de duração do nosso casamento, estamos cada vez mais próximos, mais juntos.
É claro que temos problemas, que muitas vezes não concordamos, que até discutimos ou brigamos, mas mesmo assim não há nada no mundo maior que o nosso amor. É nele meu refúgio, o meu ombro amigo, minha companhia, meu amor eterno.

- Me formar na faculdade sempre foi um grande sonho. Com a vinda do Bruno esse sonho teve que ser adiado e um pouco modificado. Com uma criança pequena eu não via a menor possibilidade de fazer medicina e a minha segunda opção sempre foi a Biologia.
Quando o Bruno fez quatro anos eu prestei vestibular em 3 universidades e passei em duas. Já foi uma grande vitória, afinal estava sem estudar há um tempão.
Aos olhos da minha família não foi uma grande alegria.
Eu cursei os quatro anos à noite na Móoca, trabalhando o dia todo em Santo Amaro e morando na Freguesia do Ó. Pra quem conhece Sampa, sabe que esses bairros ficam bem distantes uns dos outros, por isso o sacrifício era grande.
A saudade do Bruno era enorme, pois saia de casa e voltava e ele estava dormindo. Às vezes a saudade era tão grande que eu acordava ele só para ouvi-lo resmungar.
Não posso dizer o tamanho da minha alegria quando recebi o meu diploma. Me lembrei da minha mãe dizendo que eu devia desistir do curso, me perguntando o que eu ia fazer com aquele diploma.
Ainda hoje não fiz nada com ele que continua muito bem guardado. Mas conhecimento não pesa e só faz bem. Além do mais, a faculdade me trouxe amigos preciosos que eu conservo até hoje.

- Voltei pro meu antigo emprego, depois de 5 anos e após ter mandado meu ex-chefe tomar no .....
Isso é engraçado... Logo depois que o Bruno nasceu, fui convidada pra trabalhar numa grande construtora. Comecei como auxiliar de cobrança de prédios residenciais, mas em menos de um ano já era encarregada de todo o setor de cobrança de shopping centers. Fiquei 6 anos trabalhando nessa função, mas sabia de antemão que era um trabalho com prazo de validade, pois depois de construído o shopping passa a ser administrado por outra empresa.
No final da construção do segundo shopping, eu estava no auge do stress, cheia de problemas particulares e um belo dia meu chefe resolveu gritar comigo. Ele escolheu um bad day e eu não tive dúvida nenhuma em retrucar na mesma moeda, mandando-lhe tomar lá.
E claro que fui demitida na hora, sem direito à choro nem vela. Passei quatro anos fazendo outras coisas, algumas legais, outras nem tanto, até que eles me chamaram de volta para um novo projeto, ou melhor, dois novos projetos. Eu sei que tem prazo de validade, pois os shoppings inauguram no final do ano que vem, mas eu faço o que gosto, trabalho com gente legal (é a mesma equipe) e não ganho tão mal assim.
Ah, o meu ex-chefe ( o que eu mandei....) trabalha em Salvador.Mas o diretor, que sabe de toda a história, é o mesmo.
E ele costuma dizer que eu tomei juízo.

- Eu vivo uma vida normal: Quando minha mãe, há 32 anos, descobriu que eu e meu irmão éramos portadores de anemia falciforme, ela correu para o HC.
Todo mundo que tinha uma doença rara ou misteriosa ia pra lá e com a gente não foi diferente.
Foi no HC que a minha mãe recebeu a gloriosa notícia que seus dois filhos, um de 4 e outro de 1 ano, não passariam da primeira década de vida.
Talvez essa seja uma conquista mais da minha mãe do que minha, mas o que ela me ensinou é que nós não devíamos ter a postura de coitadinhos, de doentes, de eu-vou-morrer-tenha-dó-de-mim.
Eu tive uma infância praticamente normal, excetuando-se as vezes que ficava internada. Fui a escola, aprendi a andar de bicicleta, a andar de patins, fui as festinhas e bailinhos, cresci normal e inteligente.
Nunca me fiz de coitada. Nunca usei a anemia de muleta para me dar algum benefício, para ganhar alguma vantagem. Aprendi a lidar com ela, a viver com ela, a me cuidar e a saber que quem manda na minha vida é Deus.
O dia que Ele quiser, vou pro lado de lá numa boa.

Objetos de desejo

Pra próxima encarnação:

- Tele-transporte
- Gravador de pensamento
- Máquina de clonagem

Quinta-feira, Maio 25, 2006

Perae!

Alguns textos pela metade, perae povo...
Tô no tronco, mas daqui a pouco as coisas se normalizam, e eu prometo muitos posts...
Agora témais, que eu tenho que voltar pra senzala.

música da semana

Super Herói - Não é Fácil

Não quero imitar Deus ou coisa assim
Só quero encontrar o que é melhor em mim
Ser mais do que alguém que sai num jornal,
mais do que um rosto num comercial
E não é fácil viver assim

Se eu quiser chorar, não ter que fingir
Sei que posso errar e é humano se ferir...
Parece absurdo, mas tente aceitar
Que os heróis também podem sangrar
Posso estar confuso, mas vou me lembrar
Que os heróis tambem podem sonhar...
e não é fácil viver assim!!

Seja como for, agora eu sei que o meu papel não é ser herói no céu...
É na terra, que eu vou viver...

Eu não sei voar, isso é ilusão
Ninguém pode andar com os pés fora do chão

Sou só mais alguém querendo encontrar
a minha própria estrada pra trilhar
Apenas alguém querendo encontrar
a minha propria forma de amar, de amar...
sou só mais alguem querendo encontrar
a minha propria estrada pra trilhar

E não é fácil viver assim...
E não é fácil viver assim

(Sei que é Sandy e Junior. Mas é lindinha e tô cantando há dias... E a original que se chama Superman (It´s not easy) também é igualmente deliciosa... Só não sei de quem é a versão em português, quem souber, por favor me avise nos comentários. Thanks)

Sexta-feira, Maio 19, 2006

Roubado descaradamente da Yarinha

"Ontem na sessão do Missão Impossível 3 o Retorno, um cinespectador sentado na poltrona atrás da minha solta a declaração, depois que o Ethan-Cruise super poderoso maravilhoso salve salve abre a 3ª porta usando só um ferrinho na fechadura:

- Pô, eu não consigo abrir portas nem usando a chave certa!!!

Olhei pra trás e me deparei com um ser barrigudo com cara de bobo querendo ser Tom Cruise em voz alta.
E pensei: Rapá, quem nasceu pra porpeta não vai conseguir abrir a porta nem com uma bazuca, desista."

São Paulo

Parece que todo mundo já falou sobre o assunto. E parece que a perplexidade sobre o que aconteceu em São Paulo nessa semana está desaparecendo, como se tudo realmente fosse normal e aceitável. Eu sei que nunca me senti tão insegura e frágil numa cidade que sempre chamei de minha. Medo. Ainda tenho muito medo de sair na rua, medo de policial e de viatura, medo de gente. Isso é muito triste. E não é nem um pouco normal.
Me revolta o fato de eu ter que ficar mais presa do que bandido, e nem tenho tantas regalias quanto eles. Acordo cedo, ralo de trabalhar pra ganhar um salário muito além do que preciso, pago meus impostos e minhas contas, pego ônibus lotado e ruim, e tenho que viver com medo de botar o nariz pra fora da janela. É o fim da picada.
Mas ainda assim não concordo com o que disse o meu irmão, sobre estar indo embora do país por essas e outras. Sou um bicho teimoso, presa às minhas raízes com todas as forças. Não desisto fácil e vou ter aquela casa no interior pra paparicar e estragar os meus netos.
Eu sou mesmo é sonhadora. Mas acho que vivo melhor aqui, do que se estivesse fora do país. Aqui é o meu lugar.

Sexta-feira, Maio 12, 2006

Voltando

Então, depois de seis dias de hospital, sendo quatro de CTI, estamos de volta.
Não dá pra dizer que eu já me acostumei com isso. Algumas vezes eu acho que sim, outras acho que não vou me acostumar nunca.
Acho que já disse isso uma vez, mas o que mais me incomoda cada vez que eu tenho que ser internada é o fato da minha vida parar, ficar estagnada, esperando pela minha volta. A casa fica uma bagunça (por mais que maridon e filhote tentem deixá-la em ordem), a animala quadrúpede de quatro patas peludas fica abandonada e carente, maridon e filhote ficam carentes, deprimidos e ansiosos, o trabalho fica acumulado e os assuntos me esperando, enfim, tudo fica pra trás.
É complicado ainda a volta, tudo em ritmo muito lento, muito estranho. E a vontade de fazer tudo-ao-mesmo tempo-agora deixa ansiedade e frustração pelo caminho.
Eu sempre acho que a volta é um recomeço. É um tempo de avaliar as minhas prioridades, de rever meus conceitos quanto as coisas realmente importantes pra mim.
Por outro lado, durante a internação, existe todo um processo de stress, para mim, para meu marido que acompanha tão de perto que posso arriscar a dizer que ele sente as mesmas dores que eu. Todas as vezes que eu chego ao pronto socorro, é uma longa espera, por um atendimento de acordo com as minhas necessidades. A maior parte dos médicos plantonistas se recusa a me dar a medicação, alegando que os falcêmicos tendem a "aumentar" a intensidade da dor e muitas vezes a "inventar" a dor para justificar o uso de medicamentos a base de opióides. Triste. Passei horas com dor, horas de raiva e medo, meu marido passou por um nervoso e por discussões desnecessárias, até que resolveram ligar para o meu médico e me internar.
Enfim, passei por mais uma, sempre esperando que seja a última.