Quinta-feira, Agosto 31, 2006

POSTITIS

* Eu gostaria de ter mais constância em algumas coisas na minha vida. Escrever no blog é uma das coisas que eu queria que acontecesse naturalmente, como um pequeno rito diário, mas só acontece por impulso. Como um desejo incontrolável de fumar um cigarro. Às vezes, dependendo do momento, simplesmente não dá.

* Me canso de pessoas pessimistas que só conseguem ver o “lado negro da força”. Sei que eu sou meio polyana, mas custa sorrir porque o café está bom, ou porque o dia está menos frio, enfim, por pequenos prazeres escondidos? Estranho o prazer que alguns têm em reclamar, seja lá do que for, o tempo todo, pra qualquer um.

* É claro que algumas vezes a rotina cansa, o trabalho cansa, o chefe cansa, os filhos cansam, tudo cansa e a gente queria que a vida fosse um roteiro de filme de róliud, mas é isso, são escolhas que nós mesmos fazemos pra nossa vida. E cada vez que esse sentimento de cansaço me invade eu lembro que tenho tudo que eu sempre quis, do meu jeito, no meu tempo, mesmo com todas as dificuldades. E sorrio, o dia tá lindo...

* Eu vejo que me atolo em trabalho e não consigo delegar algumas funções. Não é vontade de abraçar o mundo com as pernas, mas me irrita má vontade. Em vez de me estressar, faço eu mesmo. E abraço o mundo.

* Porque meu cabelo não fica mais vermelho tipo-pequena-sereia??? Foi praga do cabeleireiro maldito que cortou 15 cm quando eu pedi 3. Eu joguei uma praga tão violenta nele, que voltou um tanto pra mim.

* Estou controlando o que estou comendo, e há mais de duas semanas não como mais besteiras entre as refeições (assepipis como a gente diz aqui no escritório). Tomo café da manhã, almoço e janto. Só não cortei o café, porque ninguém merece. A meta é perder 4 quilos, dos 63,6 kg que pesei no dia 29. Aliás, descobri que encolhi 4 cm de altura (a balança acusou 162cm). Isso ou a balança estava louca. Talvez por isso pareça que eu to mais cheinha....(Eita desculpa furada....)

* E graças a meu bom Deus agosto acabou.

* Setembro sempre me trouxe uma lembrança de primavera, e de ipês florindo amarelos e roxos, mas o mundo ficou meio maluco e nem sei mais se os ipês florescem em setembro... Pra mim é um mês agradável, de antecedência do mês do meu aniversário.

* Quando meu irmão me contou que iria embora do país pra morar com a minha mãe, eu achei que sentiria falta dele, mesmo que a gente nunca tenha tido uma relação de muita proximidade. Eu nunca fui de ficar indo na casa dele, mas a sensação dele estar ao meu alcance me dava certa tranqüilidade. Depois que ele foi, eu sinto uma saudade grande, doída. Vejo o rosto dele em outras pessoas, acho muitas delas extremamente parecidas com ele, e me admiro com esse sentimento, e lembro que apesar de tudo eu amo aquele magricelo pra cacete.

Quinta-feira, Agosto 17, 2006

Sobre casamentos...

Um certo blogueiro andou perguntando aos seus leitores o que eles achavam do casamento:
Eu respondi na casa dele, e fiquei pensando o dia todo sobre o assunto então resolvi escrever aqui também.
Durante muito tempo eu achei que casamento fosse uma furada. Tanta gente interessante no mundo e você amarrada numa pessoa pro resto da vida... Eu achava um desperdício. Casei a primeira vez porque achei que era a melhor coisa a fazer na época e cá pra nós eu era muito mais polyana do que hoje (e creiam, isso é possível), mas não fiz por pura convicção. Hoje percebo que fiz mais pra agradar as famílias do que por mim mesma. Passou, é claro que não deu certo, e não era pra dar, porque eu acredito em destino.
Casar cedo não é bom, são raros os casais que eu conheço que se casaram cedo e ficaram juntos. Mas isso não é uma regra, porque se a gente for falar de amor e de relacionamentos não existem regras possíveis. A verdade é que cada um acha o seu caminho. Algumas vezes ele é mais difícil e noutras ele é mais fácil.
Eu não pensei muito quando decidi que era a hora de me casar de novo. Estava (como ainda estou) apaixonadíssima por um homem que é especial em muitos sentidos. E eu costumo dizer que a gente se conheceu muito em pouco tempo porque falamos pelos cotovelos e nunca tivemos pudores de conversar sobre o que quer que fosse, qualquer assunto era bom, de comida a tipo de música, passando por medos escondidos, frustrações e sonhos esquecidos. Não houve e não há segredos entre nós. Não houve e não há medos ou ciúmes. Partilhamos de muitas idéias e sonhos, discordamos em muitas coisas também, não somos iguais, mas nos completamos. Estamos sempre fazendo planos, construindo castelos, alguns de vento, outros de areia, muitos de concreto. Não temos pressa, temos o tempo que o mundo nos deu. Deixamos de perguntar por que Deus só nos colocou um no caminho do outro tão tarde, e descobrimos que estivemos muito perto tantas vezes sem nos encontrar. Decidimos que nos encontramos no momento exato, na hora e no lugar que tinha que ser, porque estávamos nos preparando um para o outro. Não foi fácil, e algumas vezes ainda não é, manter uma relação tão intensa com estabilidade. São pequenos momentos de aprendizado que vão se acumulando nos nossos anos juntos. O mais importante de tudo isso é que estamos sempre tentando (e conseguindo) fazer a felicidade do outro. Eu costumo dizer para as pessoas que me perguntam se devem casar que você tem que escolher alguém que seja muito seu amigo. Porque beleza acaba, sexo acaba, até a sanidade algumas vezes acaba, e um dia você precisa conversar com alguém em quem você confie muito e isso sim não pode acabar. Amizade, respeito, confiança, companheirismo. Amor é claro, porque amar é bom, é muito bom mesmo. Mas amor pode ser instantâneo, você pode olhar e amar, mas a amizade, essa de matar ou morrer pela pessoa, essa não é instantânea. Essa é construída, tijolo por tijolo, dia após dia, numa batalha árdua para aceitar defeitos, deixar passar pequenas falhas, criar vínculos, ressaltar qualidades, aprender a respeitar limites.
Esse é o truque, essa é a idéia que eu tenho de casamento ideal. Como eu disse, não é uma regra, porque não existem regras no amor, o que funciona pra mim, pode não funcionar pra outro, e vice-versa.
Eu nunca tive um modelo de casamento ideal pra me espelhar, meus pais se separaram e minha mãe nunca mais casou. Tive que descobrir meu próprio caminho, dando de cara no muro algumas vezes, e dando tudo certo outras. O que eu posso dizer é que sou feliz bagarai...
E é pra isso que a gente casa, né?

Terça-feira, Agosto 15, 2006

Enquanto eles fazem greve

Enquanto os metroviários decidem permanecer 24 horas paralizados, eu vivencio o dia mais bizarro desde que comecei minha vida profissional.
Saio, no meu horário, da província interiorana de San Bernard du Champs, e levo somente inacreditáveis 35 minutos pra chegar até o metrô, que obviamente estava fechado e isso eu já sabia. Pego um ônibus que me deixaria próximo do escritório e fico duas horas para me deslocar pelo trajeto de dois quarteirões. Sim, caros, foi isso mesmo, duas horas e dois quarteirões.
Desci do ônibus, porque eu sou besta, pero no tanto, e liguei para o escritório, donde recebi a notícia que deveria voltar para casa. Levo mais 35 minutos pra chegar na minha linda casinha, e lá chegando tem um recado do meu chefe dizendo pra eu pegar um taxi e voltar para o escritório. Sim, ele me queria tra-ba-lhan-do. Enfim, eu não entendi, achei melhor não contrariar e aqui estou.
Rezando para uma volta tranquila...

Terça-feira, Agosto 08, 2006

Breves Postitis

  • Estou atolada em trabalho, e meu chefe insiste em começar a trabalhar comigo depois das 17 horas... Alguém precisa lembrá-lo do meu horário...
  • Queria comentar a novela que a Fal escreve muito melhor do que o Manequinho, mas não estou assistindo a novela. Thank´s tv a cabo!
  • Em casa todos temos vícios novos, graças a bendita tv a cabo. Bruno é viciado nos Simpsons, eu em ER e Beto em Law and Order. Mas ainda tem outros vícios secundários: Monk, E-ring, Friends, Smallvile... Graças a Deus que trabalhamos.... Senão seríamos o trio da bunda quadrada.
  • Quatro finais de semana seguidos com compromissos de família. Eu num guento mais, quero meu sofá e sossego. Bochechas ainda doem de rir e falar até cansar. Eu gosto, mas também gosto do meu canto quieta.
  • A coordenadora me disse que o Bruno não corre risco de repetir do ano, se estudar MUITO português e matemática. Oremos. Eu estou ficando cada vez com mais com os cabelos brancos.
  • Quem disse que é fácil ser mãe de adolescente? Não é.
  • Vou embora correndo, antes que o meu chefe me chame. Até... Eu volto, juro!

Quinta-feira, Agosto 03, 2006

Etiqueta pra dormir no busão

Então para você, querido trabalhador deste Brasil varonil, que passa longas horas no ônibus, indo ou voltando do trabalho e precisa muito (mas muito mesmo) dormir mais uma horinha que seja, seguem abaixo algumas dicas básicas para dormir no busão:

1) Se você não tem equilíbrio, nem tente dormir sem apoiar a cabeça. Vai por mim, isso não dá certo e eu já cansei de ver cenas hilárias de pessoas totalmente desequilibradas caindo do banco, dando com a cachola do vidro do ônibus, dando com a cachola na bunda das pessoas que estão em pé. Sim, pessoas, eu vi essa cena in loco. Então, se não dá pra apoiar a cabeça e você não tem muito equilibrio, desista.

2) Se você dorme de boca aberta, não há nada que se possa fazer. Ou todos os passageiros conferirão se suas obturações estão em dia, ou você não dorme. A escolha é sua.

3) Existem pessoas que tem um sono levinho, que qualquer barulho acorda. Eu particularmente, quando estou tirando um cochilinho no busão, escuto tudo o que as pessoas estão falando à minha volta. Outras, dormem tal qual pedra. Hibernam. Se você é dessas, não durma. Você está correndo o risco de acordar depois do ponto de descida, ou de ser acordada pelo motorista. Convenhamos que isso é meio constrangedor.

4) Outra coisa muito importante é respeitar o espaço alheio. Nada de acordar no ombro do vizinho ou ir abrindo as pernas até expulsar quem está do lado. Não há nada pior do que cara feia quando você acorda, ou ser acordado abruptamente por um vizinho irritado com a sua presença.

5) Dormir é sempre bom, principalmente quando se está cansado. Algumas pessoas não entendem que outras precisam dormir algumas horinhas a mais. Se você acordar e dar de cara com pessoas te olhando feio, faça cara de paisagem. Arrume o cabelo, verifique se você não babou, ou se está com ramelas, e saia do ônibus como se nada tivesse acontecido.

Trocas

Eu estou fazendo o segundo cachecol com o ponto que a Yara do Uia! me ensinou via e-mail. E o tempo que eu tenho pra fazer é o trajeto que eu faço de busão de casa para o trabalho e vice-versa. Isso quando eu não estou morrendo de sono e durmo (o que me lembra que eu tenho um outro post sobre isso pra escrever, enfim...).
Então um dia, estava eu fazendo meu tricôzinho, tentando desesperadamente não furar ninguém, não deixar ninguém cego ou perder os pontinhos e deixar buracos gigantescos no meu lindo cachecol, quando uma moça sentou-se do meu lado e ficou me olhando tricotar. Eu fiquei nervosa, é claro, não gosto que me vejam digitando, que eu perco as teclas, erro toda hora, a mesma coisa acontece com o tricô. Decidi então dar uma parada, olhar pela janela, disfarçar, pra ver se ela desistia de me olhar e a tal menina puxou um papo. Perguntou qual era o ponto que eu tava usando, e eu dizendo que não sabia o nome, mas se ela quisesse eu ensinava. Ela sacou um papel da bolsa, anotou, e depois me disse que tinha também um tal de ponto rede, se eu conhecia, que ficava uns pontões abertos, que era bem legal, se eu queria que ela me desse a receita... Sacou outro papel da bolsa e me deu a receita. Pra falar a verdade eu só entendi a receita hoje. Eu sou lerda mesmo.
A nome da garota é Debora, ela mora em Santo André. Só sei isso. Thanks pela ajuda, pela receitinha. Vou testar.

(Essa história eu tava devendo pra Yarinha. Devo não nego, pago com prazer! huahuahua)

Sobre o último post

Quando eu escrevi o último post estava pensando em quanto as pessoas podem ser indelicadas, mesmo quando não têm essa intenção. Algumas vezes você faz uma coisa esperando um resultado, e se ilude, achando que essa sua atitude vai ter um grande impacto na vida do outro, que você vai emocionar, vai tirar do fundo do baú uma lembrança doce, uma sensação boa, enfim, você imagina que a sua atitude vai de uma certa forma dar prazer ao outro, pelo simples fato de que foi um grande prazer pra você.
A pessoa em questão do post abaixo foi uma grande amiga de infância e adolescência. Éramos duas meninas muito parecidas, filhas de mães costureiras, tentando se encaixar no padrão da época.
Quando eu a revi, foi uma sensação muito legal. Dos planos que nós havíamos feito na adolescência, pelo menos um havia se tornado realidade: a nossa formação em Bio.
Depois que eu mandei o e-mail, inocentemente liguei e perguntei se ela havia recebido. Fui tratada muito friamente. E nunca recebi resposta do e-mail, nem nunca recebi outro, nem que fosse spam. Achei que fui boba, inocente, me achei idiota.
E esses dias estava pensando que eu sempre fui meio Polyana, sempre fui meio tonta. E a vida real não é assim.
Mas tudo passa. Sempre.