Domingo, Abril 12, 2009

Risoto Genérico

Final da tarde, domingo de Páscoa. Cheguei em casa depois do almoço em família, sem nenhuma idéia do que providenciar para o jantar.
A vontade de comer uma coisa gostosa e cremosinha era grande. E então veio a idéia de um risoto.

Hummmm, só falta agora saber como fazer um risoto. Pois é, já são 25 anos na cozinha e eu nunca me arrisquei num risoto. A receita é facilmente escolhida na internet, onde há milhares.
Não tenho os ingredientes... E me bate a vontade de comer um em pleno domingo de páscoa, às sete horas da noite, morando na Toscolândia, onde eu não vou achar em nenhum mercadinho o tal do arroz arbóreo, um bom vinho branco seco e um parmesão honesto.


E agora? Desisto do risoto? Como um pão de forma com requeijão, e vou dormir???? Ai que raiva.

Então é assim, bora fazer um risoto genérico. Não tem arroz arbóreo? Vamos de agulhinha. Sem vinho? É sem vinho mesmo, acho que com cachaça mineira não vai dar certo... E o parmesão??? Vamos substituir por mussarela.

Pronto, ta cometido o sacrilégio do risoto Alla milanese.

Comecei com um fio de óleo de soja na panela e um punhadinho de alho bem picadinho sendo refogado. Uma xícara de arroz agulhinha, sem lavar (porque isso estava escrito em quase todas as receitas). Fritei um pouco, juntei meia colher de açafrão em pó. Em uma outra panela eu tinha colocado mais ou menos 1 litro de água com 2 caldos de galinha em cubinho. Deixei fervendo em fogo baixo.

Depois de fritar um tanto o arroz, fui juntando o caldo, uma concha por vez. Mexendo sempre. Li que pra fazer risoto a gente tem que namorar ele. Mexendo delicadamente, é um risoto, não um reboco de parede, sacou? Cada vez que o caldo ia secando eu ia colocando mais uma concha. E mexia um pouquinho mais.

De pouco em pouco, fui tirando um grãozinho de arroz e provava. A idéia é que fique firme, mas não cru. É o tal do Al Dente. Não pode deixar o caldo secar né? Vai fazendo um creminho, quando ficava muito grosso, eu juntava mais caldo.

Quando o arroz estava quase no ponto, juntei meia cenoura cortada em rodelas fininhas. Queria que ficasse meio crocante e não desmanchando no meio do arroz.

Putz, vai manteiga... E eu só tenho margarina. Nem pensar, estragar tudo agora...

O risoto genérico quase pronto, no ponto certo, com caldinho. Fogo desligado, juntei duas colheres de creme de leite e um punhado generoso de mussarela ralada grossa.
Tampei a panela. Sim, nada de sal. Um tiquinho de salsinha picada em fininha.


Por fim, ficou bom, aliás, muito bom mesmo. E comendo eu fiquei pensando, se assim genérico já ta bão por demais da conta, imagina se eu seguir a receita "ipsis literis"...

Terça-feira, Abril 07, 2009

Bichos que NÃO amamos

Eu gosto de bichos. Minha mãe diz que eu não mato aranha, joaninha, lagartixa. É verdade. Só mato quando não há outra alternativa. Se der vou espantando o bichinho pra fora da minha casa, ele vai viver a vida dele e eu a minha.

Já tive vários cachorros, de várias raças. Já tive hamster, porquinho da índia, passarinho, peixe, rato branco. Já criei lagarta em vidro de maionese, tentei criar pintinhos, mas não deu certo.
Não tenho muita paixão por bichos que voam. Baratas que voam. Insetos em geral que voam. Talvez porque eu tenha muito medo que eles se enrolem no meu cabelo. E que eu não consiga tirar. Tenho um amigo que um dia, andando de moto, engoliu um besouro, teve que ir ao hospital pra tirar o danado da garganta. E sim, o besouro ainda estava vivo. Anestesiado, mas vivo.

Aí, que pra só pra eu pagar a minha língua de defensora dos bichinhos, um Mic*key mouse deciciu que a minha casa é muito legal e ele quer morar aqui. E quer comer a ração da Mandara, e beber a aguinha da Mandara e dormir na caminha dela, provavelmente. Ela não gostou muito da idéia. É claro. Se nem do filhote de poodle fofo da vizinha ela gosta (temperamental essa minha filha canina) como é que ela vai gostar do Mic*key mouse????

Se eu não tivesse visto ele, tudo bem, viveria na ignorância, ele lá, eu aqui e tudo bem e lindo. Mas o danado decidiu me fazer uma visita mais íntima, digamos assim, entrou na sala da minha casa e ficou bem em baixo da estante.

Correria, gritos, vassouras, veneno, mais gritos, esforço pra subir nas cadeiras, no sofá. Pra sorte dele, não conseguimos consumar o ratícidio. Ele foi mais esperto que nós e fugiu pela porta.

Na noite seguinte o danado voltou pra fazer uma boquinha na ração da Mandara. Como não tinha no potinho, ele rasgou o saco. Mandara foi temporariamente transferida do seu habitat natural e veneno foi espalhado no quintal. Esta noite o visitante comeu o veneno. Tenho que manter a Mandara uma semana longe do quintal, e repetir o veneno para ver se ele sumiu mesmo, ou se estava trazendo amiguinhos pra uma boquinha.

Hoje pela manhã, descobri que tenho que brigar contra outro animal. Agora é a vez dos carrapatos. Tô ferrada.